Mais um no mundo

Você nasceu, cresceu, e aprendeu a falar.
Com o tempo aprendeu também a ler.
Viveu seu momento de infância,
onde cada novo dia era uma novidade.
Pensou em ser como seus pais, pensou em ser super-herói,
pensou no dia seguinte,
onde poderia brincar novamente com seus amigos,
onde cada criança que aparecia em sua vida era capaz de tornar-se
seu melhor amigo no mesmo dia em que a conheceu,
onde cada erro cometido contra você era simplesmente esquecido no dia seguinte.
Você ganhou a sua primeira bicicleta, e fez amigos com os quais também andou de bicicleta.
Também aprendeu a somar e a multiplicar, e brincava com seus brinquedos prediletos.
Gostou de garotos(as) mais velhos(as), bonitos(as) e impossíveis para você.
Deu seu primeiro beijo, aprendeu a amar.
Houve os momentos que passou na adolescência,
onde seu corpo se transformou, juntamente com o seu comportamento.
Pensou em mudar o mundo, a humanidade, mudar os amigos,
mudar até mesmo sua vida, sem tomar qualquer atitude para isto.
Pensou em ganhar, sem se esforçar.
Pensou em conquistar, com um olhar, aquela mesma pessoa por quem
você foi conquistado da mesma forma.
Você cresceu, estudou física e química.
Teve seu primeiro emprego, estudou para o vestibular e também entrou para a faculdade.
Você pensava que o que pensava era certo, até descobrir que,
na juventude, o que pensava era volátil e servia somente
para dar-lhe energia para não desistir.
A mesma juventude onde solidificou amizades, mas a mesma
onde registrou profundas mágoas.
Estas mágoas que lhe acompanharam por longa data, e,
por muitas vezes, não mais como criança, não as
esqueceu no dia seguinte, mas as deixou cicatrizadas
para que você lembrasse de suas experiências ao olhar estas suas marcas.
A mesma juventude onde construiu seu futuro, sua carreira, seus hobbies eternos, suas ambições e desejos,
onde há maior facilidade de conquista, e ao mesmo tempo de perda.
Você fez amigos no trabalho e na universidade, e saiu com eles.
Fez festa, se divertiu, teve dinheiro. Ficou doente, gripado, com dor de cabeça, e também quase desmaiou.
Teve surpresas, ouviu música, cantou e dançou.
Você se formou e conseguiu seu diploma.
Pensou em um relacionamento mais sério. Casou-se. Esteve feliz.
Decidiu ter um filho, pela alegria de ter um, e por tradição, pois todos ao seu redor têm ou já pensaram em ter um.
Aproveitou sua juventude, até tornar-se adulto, onde realmente viu que seus
pais tinham razão e seus avós tinham a voz da sabedoria.
Onde suas opiniões eram mais dificilmente destrutíveis,
por você fazer de suas experiências um amuleto.
Também onde você construiu uma família, e viveu o que a sua caminhada proporcionou.
Onde foi cercado por amigos de visões tão inquebráveis quanto às suas,
e também por pessoas que, com um sopro, podiam dispersar sua vida ao vento como grãos de areia,
e onde tudo o que você viveu por anos podia, imprevisivelmente, ter sido vivido em vão.
Você se tornou um doutor na sua área. Quis mais dinheiro, buscou felicidade.
Sentiu-se rodeado de pessoas e ao mesmo tempo só.
Ascendeu no emprego, ganhou cargos, responsabilidades, importância, respeito.
Reclamou, ouviu reclamações, recebeu e deu conselhos.
Trocou de trabalho, buscou inovação, revigoração, satisfação, felicidade.
Ainda assim sentiu falta de algo sem saber o que era.
Você se aposentou, seus filhos nasceram, aprenderam a ler e escrever, e ganharam suas primeiras bicicletas.
Fizeram amigos, cresceram, casaram-se, e lhe concederam netos.
Estes continuaram um ciclo que se repetiu por mais diversas outras gerações.
Mas você morreu, chegando ao fim de sua vida com a mesma dúvida:
minha vida valeu a pena, ou fui apenas mais um no mundo?
 
.:. Sindra .:.

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O que quero dizer é que, mesmo aos extremos céticos, não se vive para trabalhar e nem se trabalha para viver.
Basta olharmos para o Oriente, as guerras, as milhares de pessoas desabrigadas, feridas, mortas, sem familiares, sem comida, sem água, sem roupa, e que, alguns dias antes, não aguardavam por isto.
Enquanto nós, aqui do ‘outro mundo’, esquecemos que o amanhã pertence a Deus, e muitas vezes vivemos para nós mesmos. E só pensamos em Deus quando precisamos mesmo dEle. E quando chegamos ao fim da vida e pensamos: valeu a pena? 
O que foi escrito é para pensarmos se vivemos somente para nós mesmos.

Se só o que movem nossas atitudes são nossas ambições.
Se isto tudo realmente trouxe uma felicidade duradoura, ou se a cada momento era necessário bombear motivações diferentes.
Para dizer que bilhões de pessoas existiram antes de nós, bilhões existem em nosso tempo, e não sabemos ainda quantas virão depois de nós, mas tudo tem o mesmo ciclo. Para pensarmos se vamos apenas ser mais um, para concretizar este ciclo, vivendo para nós mesmos, ou se vamos usar o que temos, e sabemos, para fazer a diferença na vida das pessoas, lembrando de Deus não somente quando precisamos, mas em todo o tempo;
pois é Ele quem dá o que possuímos, o sustento, e quem pode mudar a história, mesmo quando o homem tenta ser o autor da mesma, a escrevendo de mau jeito, egoísta e ambiciosamente, culpando a Deus por isto, e para chegar ao fim de sua vida e ver que realmente faltava algo, mas não sabia dizer o que, pois a falta de luz não o permitiu enxergar.

Deus o abençoe!

[Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus]
Romanos 3:23
[Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus nosso Senhor]
Romanos 6:23

.:. Sindra .:.

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